segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cream

12 horas à frente do Brasil, começo o mês de março com o pé direito, livre de influências musicais negativas.
 

Batendo perna em Singapura

Quem puder imaginar uma belíssima cidade jardim, onde não há sujeira, a criminalidade é quase inexistente e as pessoas respeitam regras de trânsito com mais rigor do que os alemães, vai enxergar Singapura, a ilha de prosperidade do sudeste asiático. A República de Singapura, uma cidade-estado, é, na verdade, um conjunto de 63 ilhas antigamente dominadas pelos ingleses.
Estou certo de que deveria ter pesquisado sobre isso antes de chegar por essas bandas e sair afirmando com falsa propriedade que Singapura é parte da Malásia. O taxista que me levava para o aeroporto engoliu em seco e explicou carrancudo que o país dele faz fronteira com a Malásia, mas com ela não se confunde (entendeu, criatura?).
Hoje, a cidade é ambiente cosmopolita para chineses, malaios, indianos, singapurianos e gente do mundo todo. Na sua maioria, interessada em fazer dinheiro. Montes de dinheiro.
Quando passei por lá no ano passado, a caminho de Dili, sofri por conta do calor úmido sufocante e dos preços salgados (é a terceira cidade mais cara da Ásia). Hoje vejo que fiz mau juízo de Singapura. Eles não entendem nada de cozinha (vendem para todo lado uns espetinhos de pato recomendado para aniquilar floras intestinais), fazem a cerveja Tiger (uma espécie de Yakult às avessas, já mencionada aqui no blog), mas em matéria de diversão, são imbatíveis. Parques, museus, teatros, cassinos, piscinas suspensas, prédios lindíssimos e, para os menos avarentos, passeios de Ferrari e Lamborghini disponíveis pela 'bagatela' de 300 dólares (20 minutos). Vale conferir.





domingo, 27 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eric Clapton ao vivo em Singapura


No dia 14 de fevereiro Eric Clapton fez a alegria dos quinze mil fãs que lotaram o Indoor Stadium de Singapura. E quem pagou (caro) pra ver o lendário guitarrista inglês não se arrependeu. O sujeito é mesmo um gênio.
Do alto dos seus 65 anos de idade, tocou duas horas quase ininterruptas. Falou pouquíssimo (deu 'boa noite' e 'tchau') mas mandou brasa na guitarra e no violão nas músicas que eu mais esperava ouvir, como Old love, Laila e Hoochie coochie man. Tentei filmar alguma coisa porém a qualidade da câmera e do cinegrafista deixam a desejar.
Nesses lugares em que tudo é muito certinho - hora para começar, lugar para sentar, lugar para beber, etc e tal - é que a gente percebe como os shows no Brasil são bem mais animados. Eu vi que o público que estava no estádio adorou o show, aplaudiu e se emocionou, mas manteve-se sempre contido. Para mim, contido até demais. Nos shows brasileiros o povo pula, grita, dá cambalhota, pirueta e quem acaba mais empolgado é o próprio artista. No caso do Clapton, acredito que ele já esteja acostumado com a 'moderação' inglesa. Mas eu não. Gosto é quando a casa vem abaixo. Tudo bem.
Vi o 'tio' Clapton de perto e o 'vovô' Steve Gadd, herói da bateria, fazerem o que se propuseram a fazer: tocar o melhor do blues e do rock'n roll como se ainda estivessem num daqueles shows no Hyde Park da década de 70. Quem gosta desse som ia delirar no dia 14 de fevereiro. Lembrei muito dos meus dias na querida Mentol e, é claro, dos velhos companheiros do rock.







sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Festa no Tribunal de Dili

No final do ano passado nos reunimos para um regabofe no Tribunal Distrital de Dili. Foi a festa de comemoração de natal e dela participaram juízes, defensores, procuradores e os funcionários do Judiciário. O encontro serviu também como despedida para os juízes timorenses que foram para Portugal receber treinamento jurídico e, principalmente, em língua portuguesa.
Temos aqui, como idiomas oficiais, o português e o tétum (o inglês e o bahasa indonésio são idiomas de trabalho). Para os funcionários do setor da justiça, principalmente os juízes, existe uma nítida imposição para que eles adquiram fluência oral e escrita da língua portuguesa. Contudo, há que se entender a complexidade do problema linguístico: todos os juízes que conheci formaram-se na Indonésia (e assim como os procuradores e defensores, dominam fluentemente o bahasa e o direito daquele país). Falam em casa com a família o dialeto referente à sua região de origem em Timor-Leste (tocodede, mambae, etc etc - existem mais de trinta dialetos no país) e comunicam-se socialmente através do tétum.
Em resumo: esse pessoal fala, em média, três idiomas completamente diferentes, ALÉM DO PORTUGUÊS. Alguns ainda conhecem o inglês. Entendo a necessidade de reforçar o estudo da língua portuguesa. Mas nunca fiz qualquer imposição junto aos defensores estagiários para uso desta ou daquela língua oficial. Já percebi a exclusão que um idioma pode causar e prefiro não ser mais realista do que o rei.





quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

(Mais) 2 minutos pelas ruas de Dili

Na semana passada aproveitamos a trégua da chuva e gravamos outro vídeo que mostra, com menos barulho e melhor definição, parte da orla de Dili. A Alice veio filmando desde a embaixada da Malásia até a do Japão, bem perto daqui de casa.
Passamos na frente do maior latifúndio improdutivo da capital (a embaixada americana), da casa do embaixador brasileiro Edson Monteiro e do Castaway, boteco de estrangeiros cujo dono tolera as  apresentações da banda What Lafaek, conjunto musical já referido aqui no blog.

Prisão de Becora

Mensalmente os defensores públicos de Dili trabalham em regime de plantão na Prisão de Becora para atender os presos provisórios e condenados. Esta é a principal casa de detenção para homens em Timor-Leste e recebe hoje algumas centenas de pessoas vindas da capital e dos distritos.
O espaço físico da prisão é pequeno. Mas aqui a situação carcerária está bem longe da brasileira, que de tão esdrúxula é manchete frequente em noticiários internacionais (e o problema parece piorar a cada ano). Não se vê gente espremida em cubículos ou dormindo em redes. Nada de containers transformados em celas (como na aterrorizante realidade capixaba de 2009). A reduzida população carcerária de Becora assegura boa qualidade de vida aos detentos.
Corre à boca pequena, entretanto, que num passado não muito distante toleravam-se corredores poloneses e cerimônias de "boas vindas" planejadas pelos detentos mais antigos e por membros da polícia timorense. Nunca presenciei nada. Recebi uma única reclamação de um preso provisório que não tinha colchão, cobertor e sabão. Oficiei o diretor e em poucos dias a questão foi resolvida.





O defensor público estagiário, Calisto Totu.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

2 minutos pelas ruas de Dili

Hoje de manhã eu e a Alice decidimos registrar em vídeo, com a máxima tremedeira possível, alguns detalhes do centro de Dili. Passamos pela orla, cruzamos com o Presidente Ramos-Horta no seu buggy, viramos ao lado do Palácio do Governo e, por último, filmamos rapidamente o Parlamento nacional e a UNTL, Universidade Nacional de Timor-Leste. O registro é curtíssimo mas serve para matar a curiosidade de quem não conhece Dili.


Let the good times roll

O texano Stevie Ray Vaughan era um gênio (talvez insuperável) da guitarra. Morreu em agosto de 1990 depois de entrar no helicóptero reservado para o Eric Clapton e sua equipe. O nevoeiro do lugar impediu o piloto de enxergar uma pista de esqui. O acidente aconteceu depois de tocar junto com outros astros do blues, incluindo Clapton (uma pessoa, vale dizer, com habilidade incomum para driblar a morte).
A curta carreira de Stevie Ray não impediu, contudo, que o músico se tornasse uma influência marcante na vida de quem gosta de rock e blues, seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
O angolano naturalizado brasileiro Nuno Mindelis, eleito em 1998 como melhor guitarrista de blues do mundo, chegou a tocar recentemente com a antiga banda do Stevie Ray (Double Trouble) e tem o americano como um dos seus ídolos pessoais. Assim como eu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Templo Uluwatu de Bali

No final do ano passado Bali recebeu turistas vindos dos quatro cantos da Indonésia (e do mundo). As principais praias, além de lotadas, não estavam lá muito convidativas para o banho (sempre achamos um ou outro corajoso disposto a faturar algumas amebas, mas enfim). A verdade é que elas não fizeram falta.
Conhecemos, dentre os principais pontos turísticos, o templo de Uluwatu, que fica no extremo sul da ilha. Lá está a paisagem mais bonita que vi em Bali, sem sombra de dúvida. Ele é o mais antigo dos templos balineses e está posicionado sobre um altíssimo rochedo. A vista ali é de tirar o fôlego. Chegamos na hora em que locais participavam de uma celebração religiosa (hinduísta). E na área das orações turista não põe os pés.
Na entrada, reunido nosso grupo, vestimos os sarongs (as saias lindíssimas da foto) e fomos para a beira do penhasco. Vale lembrar que o parque é lotado de macacos abusados (sempre eles!) e o mínimo descuido com a máquina fotográfica, chapéu ou óculos significa prejuízo.
Lugar meio afastado do centro, porém lindo, que merece uma visita. Encontramos ainda um inusitado guia indonésio que batia papo em português e pronunciava com desenvoltura os mais indizíveis palavrões da nossa língua pátria.





Macaco ladrão inspecionando seus documentos