quarta-feira, 27 de abril de 2011

Na sexta-feira o crocodilo volta ao Castaway

Esse pessoal da What Lafaek gosta mesmo é de inventar moda. Surgiram agora com um flyer da Scarlett Johansson anunciando que na sexta-feira à noite não pretende ficar em casa vendo o casamento do príncipe William. Vai é cair no rock'n roll lá no Castaway. Tô fazendo figa pra ela aparecer mesmo lá no boteco. Esta semana tínhamos um ensaio marcado na terça, mas a chuva alagou a casa do guitarrista. Pô, acontece. Hoje, rumamos otimistas para a casa do Craig (que agora adquiriu a mania de fornecer rosbife e acepipes para os seus companheiros de banda - e quem sou eu para reclamar), porém, outra surpresa: acabou a luz. Pronto! Danou-se. Ainda bem que aqui em casa tem gerador.
Fico de dedos cruzados para ver o dia em que o fornecimento ininterrupto de energia elétrica para Dili será uma realidade. O povo timorense poderia parar de se virar nos trinta. E nós também.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Para os egos mais inflados, fica a lição

Para as pessoas que se julgam especiais e insubstituíveis, com um senso de superioridade incontido. Um recado do Mário Sérgio Cortella.

domingo, 24 de abril de 2011

Maubisse (Timor-Leste)

Seguimos o conselho dos amigos e tocamos para Maubisse, no centro de Timor-Leste. É preciso conhecer pessoalmente a região para acreditar que realmente faz frio nalguma parte deste país.
A viagem para lá é demorada, apesar da curta distância. São apenas sessenta e poucos quilômetros de Dili, numa estrada de curvas intermináveis, pista estreita e buracos. Aliás, crateras. Às vezes dos dois lados da pista, que está perto de ceder completamente em certos pontos. Carro baixo não chega a Maubisse.
Pobres dos moradores da região.
Para o passageiro, contudo, é uma maravilha. Pode desfrutar de paisagens lindíssimas de montanhas que lembram muito as de Minas Gerais.
Falando nisso, a cidade de Maubisse é uma réplica, em menor escala, de Lavras Novas, cidadezinha próxima de Ouro Preto, eleita por muitos como o melhor lugar para namorar pelado no Estado de Minas. Raciocínio semelhante pode ser aplicado a Maubisse.
A pousada mais famosa de lá foi instalada numa antiga casa portuguesa, em ponto privilegiado do imenso vale. Tem até lareira no lobby. Lareira numa casa de Timor-Leste! Pois é. Naquelas bandas a realidade é outra. Chegamos e o maun foi logo dizendo, peremptório: "Querem almoçar e jantar? SÓ TEMOS FRANGO." Assim foi e o frango estava espetacular. Melhor só seria se fosse com quiabo, mas aí são outros quinhentos.

Monumento da cidade de Aileu, erguido em homenagem aos timorenses mortos no conflito entre japoneses e aliados durante a segunda guerra mundial.

                                     Túmulo ao lado da estrada, nos arredores de Aileu.

                        O vale de Maubisse e o morro no centro, com a pousada no topo.


Antiga casa portuguesa onde atualmente funciona a pousada. Nada de ar condicionado e lareira no lobby.


                                                A cidade de Maubisse, vista da pousada.

Allan Sieber


Este e outros cartuns podem ser encontrados no site do Allan Sieber, allansieber/cartuns.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mensagem ao Chico Buarque

Eu estava lendo o livro do Wagner Homem intitulado Histórias de Canções - Chico Buarque e me deparei com um cartão de boas-festas escrito pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), endereçado ao Chico. Eis a agourenta mensagem natalina:

"Chico

Você lê jornais? Então sabe que seu 'pai espiritual', Fidel Castro, continua libertando milhares de presos políticos. O Brasil tem cerca de 4 e Cuba milhares. Onde há mais liberdade? Você continua sendo o primeiro em nossa relação.
O Comando de Caça aos Comunistas deseja a você, ativista da canalha comunista que enxovalha nosso país, um péssimo Natal e que se realize no ano de 1980 nosso confronto final."

E pensar que uns absurdos deste nível aconteceram há tão pouco tempo no Brasil.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um minuto em Ha Long Bay (Vietnam)

No caminho para Ha Long Bay nosso guia vietmanita, figura espirituosa, cismou comigo e não parava de chamar o XILIU do Brasil. Muita paciência nessas horas! Meu nome é problemático para os asiáticos. Logo depois que chegamos, fui interpelado por um turista de Moscou, admirado por conhecer um brasileiro com nome de russo. Provavelmente ele estava pensando no meu estranho xará, o Cirilo I de Moscou, bispo ortodoxo e patriarca da capital. O tal rapaz ainda comentou que estava com viagem marcada para o Rio e que não via a hora de conhecer o CT do Flamengo. Nosso mundo é mesmo um ovo. No frio ardido da baía eu filmei este vídeo curto, que dá uma idéia da beleza do lugar.

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sábado, 16 de abril de 2011

Se ema la iha asu...

Ontem, depois da nossa tentativa frustrada de ir a Ataúro - o motor do navio pifou - passamos numa feira aqui de Dili e compramos o Pequeno Príncipe traduzido para tétum. Espetacular! Complicado agora vai ser entender as incontáveis metáforas da língua timorense e traduzir um palavreado que não se encontra em dicionário nenhum. Lembrei do meu professor de tétum, que rolava de rir com as nossas traduções de ditados populares brasileiros. Sem dúvida, o que fez mais sucesso foi 'quem não tem cachorro caça com gato´, cuja tradução para tétum é se ema la iha asu soro ho busa (salvo engano, existe um ditado semelhante na língua indonésia. Vou pesquisar a respeito).

Um dos 'busas' que vivem filando leite aqui em casa.

Ganhei coragem (Rubem Alves)

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo.

Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.

Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga.


Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.


Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.


Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo... Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.


O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.


Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“...

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

(Folha de S. Paulo, 05/05/2002)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Enquanto isso, no Tribunal Distrital de Dili...

No último dia 11, a Alice fez pose de jornalista, empunhou sua máquina fotográfica e registrou algumas cenas de um julgamento acontecido no Tribunal Distrital de Dili. Ela bateu tanto papo com o pessoal da platéia que, no final das contas, foram os novos amigos quem tiraram fotos da malai brasileira.



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tropicana Slim


Se Washington Olivetto, Nizan Guanaes ou algum outro guru da publicidade brasileira passasse meia hora assistindo a um canal asiático, de preferência indonésio, ia pensar consigo: eu sou bom mesmo e mereço cada centavo que já ganhei nessa profissão.
O besteirol nonsense que é despejado sobre o telespectador nessas bandas leva qualquer pessoa de capacidade intelectual mediana a manter sempre à mão uma cartela de dramin. E nem estou me referindo a programas de auditório que fazem o Raul Gil parecer um gênio.
As aberrações comerciais da televisão vão desde a imagem de um lutador de sumô vestido com fralda, cantarolando uma musiquinha enquanto ajuda uma senhora a passar tinta na parede da sua casa à deprimente propaganda do Pato Purific, na qual a dona de casa despeja o produto numa latrina de água parada, com aspecto encardido.
Os chineses não ficam atrás. Inventam paródias ridículas para anunciar programas americanos veiculados na Ásia. No melhor estilo karaokê. O mais irritante é que as musiquinhas grudam na cabeça e provocam sério desconforto mental. Este sim é o suplício chinês propriamente dito.
O conteúdo televisivo no Brasil, e aqui me refiro ao publicitário, evidentemente, costuma ser criativo. Dificilmente veríamos por lá uma propaganda como esta, do adoçante indonésio Tropicana Slim. Num atentado grave contra a inteligência da população, o vídeo mostra um rapaz que carrega para baixo e para cima um pacote do malsinado adoçante, porque aquele é o símbolo que traz de volta a recordação do amor infantil. Nada de lenço ou papel de bombom. Mas um saquinho de adoçante! Tem base uma porcaria dessa?

domingo, 10 de abril de 2011

E a What Lafaek continua!

A ultracosmopolita banda What Lafaek não se cansa de declamar em verso e prosa a sua saída definitiva dos palcos de Dili. Ou pelo menos a debandada do seu baterista tupiniquim, de malas quase prontas para regressar à Terra Brasilis. Sem vergonha nenhuma na cara, os integrantes anunciaram para os amigos que no dia 26 de março fariam mesmo a derradeira apresentação. Que nada! Era tudo pegadinha. Marketing dos australianos. Tudo indica que a enésima despedida do mineiro acontecerá no dia 29 de abril, com promessa de participação eletrizante da espanhola arrasa-quarteirão, Maria Bermudes. Tudo vai depender, entretanto, da disposição do vocalista pop star de boteco Craig Waters, que foi recentemente para Melbourne submeter-se à mão santa de um cirurgião plástico. No próxima edição do American Idol, o título não escapa das mãos do Craig. Brincadeiras à parte, coloco aqui algumas fotos da nossa última bagunça no Castaway.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eric Clapton - Old Love (solo) - Ao vivo em Singapura

Fortes emoções...

Um abraço especial para os amigos da Mentol, que tantas vezes tocaram comigo esta música na noite de Belo Horizonte.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

Austrália, a muy amiga

O inimigo mora ao lado. Quanto mais se estuda e se investiga sobre os absurdos sofridos por Timor-Leste ao longo da sua história, mais se constata que a Austrália é lobo em pele de cordeiro. Ela tem amigos fortes e o azar é do vizinho de cima. Esta notícia, publicada na semana passada pelo blog Timor Lorosae Nação, apenas confirma o que tanta gente já está careca de saber: vindo da Austrália, todo cuidado é pouco.

Tribunal australiano ordena abertura de documentos sobre invasão indonésia
Paris, 28 mar (Lusa) - O Supremo Tribunal Administrativo australiano decidiu hoje a favor da abertura de documentos secretos sobre a invasão indonésia de Timor-Leste em 1975.
A sentença, de que as autoridades australianas podem ainda recorrer para o Supremo Tribunal Federal, abre caminho à divulgação de 250 linhas de documentos censurados pela Organização Geral de Informação (JIO), antecedente da atual Direção Geral de Informação (DIO).
A decisão conclui uma batalha judicial de quatro anos entre os serviços de informação australianos e o historiador Clinton Fernandes, da Academia das Forças de Defesa Australianas (ADF), especialista na história contemporânea de Timor-Leste e da política da Austrália em relação ao antigo território português.
"A minha expetativa é a de que a informação que vai ser agora revelada, parte de 42 documentos classificados, revele detalhes sobre as operações de desestabilização da Indonésia na fronteira de Timor-Leste, entre outubro e dezembro de 1975, e sobre a conduta das tropas indonésias após a invasão", afirmou hoje Clinton Fernandes, contactado por telefone em Camberra pela Agência Lusa a partir de Paris.
"Os documentos poderão confirmar que o Governo australiano na época conhecia em detalhe os planos da Indonésia em Timor-Leste", acrescentou o historiador australiano.
"O Governo australiano sabia em grande detalhe o que se passava em Timor-Leste mas seguiu a linha de propaganda da Indonésia, na linha de uma guerra entre a Apodeti e a Fretilin, tanto a nível internacional como para consumo interno", sublinhou Clinton Fernandes.
O historiador, professor de relações internacionais na Universidade de Nova Gales do Sul, em Camberra, e autor de diversas obras sobre a invasão e a independência de Timor-Leste, interpôs no final de 2007 um primeiro pedido para ter acesso aos documentos ao abrigo da lei de liberdade de informação na Austrália.
Apesar de terem decorrido os 30 anos previstos na legislação para a abertura dos documentos secretos, o Departamento de Defesa manteve a classificação "reservada" de cerca de 40 "relatórios" e outras informações recolhidas pelos serviços de informação australianos e enviadas para Camberra em 1975.
Clinton Fernandes afirma ter recebido do Departamento de Defesa alguns dos documentos onde apenas com o cabeçalho era legível e tudo o resto estava coberto a negro.
Durante as audiências no Supremo Tribunal Administrativo, algumas das quais decorreram à porta fechada, um dos responsáveis dos Serviços de Informação australianos declarou perante o juiz do processo que os referidos documentos eram "demasiado explícitos" para serem publicados.
Vários responsáveis de alto nível dos serviços de informação e do Departamento de Defesa australiano declararam, ao longo do processo, que a abertura dos referidos relatórios iria "comprometer a segurança nacional".
Na sequência da sentença, e não havendo recurso, o conteúdo dos documentos censurados será tornado público nos próximos dias.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A impressionante Baía de Ha Long

Diariamente, incontáveis barcos de madeira, de porte e qualidade variadas, são atracados na Baía de Ha Long, à espera da leva de turistas que visita o norte do Vietnam. Na madrugada do dia 17 de fevereiro, um dos barcos ancorados teve seu casco subitamente rompido. Num curtíssimo espaço de tempo foi tomado pela água gelada, ainda no escuro. O saldo final de doze pessoas mortas, quase todas elas turistas, não poderia ter causado maior perplexidade. E isso bastou para que as próprias autoridades vietnamitas colocassem sob exame a segurança daquelas embarcações, aparentemente confiáveis.
Eu confiei na segurança de um daqueles barquinhos e, no dia 18 de fevereiro, fui com a Alice passar dois dias na paradisíaca Ha Long Bay. Obviamente, quando fechamos a viagem não tínhamos ciência do acidente. Saímos de Hanói pela manhã e, logo no início do trajeto de carro para a baía (aproximadamente 150 quilômetros da capital vietnamita) fomos informados sobre o ocorrido no dia anterior.
Em consequência do acidente, todos os barcos preparados para pernoite de turistas foram recolhidos e submetidos a inspeção. Frustração para nós. Mas serviu para pensar na sorte imensa que tivemos.
Sobre a Baía de Ha Long, próxima da fronteira com a China, vale dizer o seguinte: o lugar é fora de série. Acima do mar se elevam milhares de formações rochosas de calcário e pequenas ilhas, que se confundem no horizonte.
Vêem-se cavernas imensas, arcos desenhados sob as rochas e vilas flutuantes, em cujas casas vivem em torno de mil e quinhentas pessoas, a maioria delas pescadores. No verão o calor é de matar, mas em fevereiro, a temperatura costuma ser inferior a dez graus centígrados. Por conta da neblina sobre a água e as pedras, o lugar adquiriu um ar meio fantasmagórico, meio lúgubre, conforme mostram algumas fotografias.
Desde o monumental vulcão Kelimutu na Ilha de Flores eu não tinha me deparado com riqueza natural tão impressionante.









sexta-feira, 1 de abril de 2011

Entrevista com John Bonham em 1970

No ano de 1970 o Led Zeppelin estava na escalada da fama, do reconhecimento e dos lucros nunca imaginados pelos seus quatro integrantes. Este vídeo raro mostra o ponto de vista do baterista John Bonham, figura menos conhecida por suas opiniões e mais pelo impacto que causava atrás dos tambores. E, principalmente, pelas confusões que provocava. Culpa da bebida e do pavio curtíssimo.