quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Te amo DETRAN

Penso que a burocracia existe em qualquer lugar do mundo. Uma necessidade básica para manter a ordem nos serviços prestados ao público. O problema surge quando a burocracia se torna um instrumento utilizado  CONTRA o público. O servidor passa a se valer dela para mascarar sua preguiça, ignorância, covardia, insatisfação sexual, etc etc.

O burocrata stricto sensu, ou seja, aquele que age com vontade deliberada de prejudicar terceiros, acobertado pelo próprio sistema ao qual ele pertence, também é uma bactéria fácil de ser encontrada. Seguindo esse raciocínio, acredito - e quanto a isso tenho firme conviccção - que a maior colônia dessas bactérias chama-se DETRAN.

 Desde quando iniciei minhas peregrinações ao Departamento de Trânsito de Belo Horizonte, seja na Avenida João Pinheiro ou no Bairro da Gameleira, tive certeza de que o sofrimento seria eterno (ou ao menos prolongado por décadas). Lá existe falta de informação, má informação, informação truncada, contraditória, autoritária e até mesmo contra informação. É muito desgaste. Uma visita exige duas doses prévias de engov (e talvez um dramin), só pra aguentar aqueles policiais civis metidos a Charles Bronson.

Mas estou me desmanchando em amores pelo DETRAN porque aqui em Timor Leste, literalmente do outro lado do mundo, apurei um fato impressionante: o DETRAN (o nome não é esse mas fica mais fácil identificar assim) é RIGOROSAMENTE IDÊNTICO. Vamos no guichê tal, somos mandados para ali, tiramos cópia acolá, voltamos no primeiro guichê, bate-se carimbo, tiramos mais tantas cópias, para enfim: esperar tantos dias pela liberação do documento provisório...

Acontece que, como bem lembrou a Alice, o sistema brasileiro é informatizado. O timorense não.  Logo, o que podemos concluir é que o DETRAN brasileiro não é igual ao timorense. É BEM PIOR, porque simplesmente não existe fundamento logístico para tanta inoperância (o que falta é qualidade humana mesmo).

Fica, ao final, a  felicidade imensa de portar uma carteira de habilitação tirada em Timor Leste.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O melhor do rock`n roll

Em dezembro de 2007 eu e dois amigos de Belo Horizonte, Thiago Leão e Ricardo Machado, meio cansados de tocar Beatles, resolvemos botar mais lenha na fogueira. Formamos um trio e partimos pro rock`n roll de peso, tocando música velha da mais alta qualidade (Hendrix, Clapton, Cream, Creedence, Stevie Ray Vaughan, etc etc). Nasceu a querida BANDA MENTOL.

No entanto, quem conhece BH sabe que em cada esquina tem um músico bom de serviço. E bandas não faltam, para todos os gostos. Fizemos o seguinte: rumamos para a cidade fantástica de DR. LUND (rs...), ensaiamos de graça com comida boa e bebida à vontade (muito "mônaco" preparado pelo Rodela) e tiramos as primeiras músicas. O terreno estava preparado para o nosso novo som.

Tocamos nos melhores bares e também nas mais picaretas espeluncas de Belo Horizonte. Quando saí do Brasil, Thiago Leão já era o melhor guitarrista da cidade. E vocal como o do Ricardo era difícil de encontrar. Hoje a Mentol tem um baterista à altura dos demais músicos da banda. Quem for à capital mineira, não deve perder a chance de ver esses caras tocarem.



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Porta de casa

Há dois meses atrás a marinha americana atracou um porta-aviões na baía de Dili. Os soldados vieram aqui dar um curso para os membros da FDTL, exército de Timor Leste. O navio é monumental. À noite parece uma cidade flutuante. Pena que não permitiram curiosos a bordo.

De qualquer forma, tivemos o prazer de ver por alguns dias a embarcação na "porta" do nosso compound. Consegui fotografar no momento em que estavam juntos um submarino, o porta-aviões e um cargueiro indonésio.

Entre a ilha de Timor e a ilha de Ataúro há uma o fossa oceânica, cuja profundidade chega a 3000 metros. Dizem que durante a segunda guerra mundial os aliados posicionavam estrategicamente submarinos nessa região, aguardando a passagem de navios japoneses. Em terra, o fogo cruzado entre japoneses e australianos matou aproximadamente 80.000 timorenses (não beligerantes). A perda da Austrália foi de 40 soldados.


Vida Louca Vida

Composição: Lobão / Bernardo Vilhena

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu to carente'
'Eu sou manchete popular'
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar

Se ninguém olha quando você passa você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual
Se niguém olha quando você passa você logo diz 'Palhaço'
Você acha que não tá legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu tô carente'
'Eu sou manchete popular'
Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar
Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Caminho para Baucau

Em julho eu e a Alice fomos a Baucau, segunda cidade mais populosa de Timor Leste, participar de um encontro da Defensoria Pública. A viagem de cento e poucos quilômetros na direção leste de Dili revela o imenso potencial turístico do país. Montanhas, praias e campos lindíssimos, com pouquíssima gente por perto. Estreita e sinuosa, a estrada é cheia de buracos e a todo momento um cabrito, porco ou galinha cruza na frente do carro (sem contar que as pessoas daqui têm mania de SENTAR NA ESTRADA...). Haja braço!

Bacana foi que nessa viagem a Alice fotografou as simpatissíssimas crianças de Manatuto, os búfalos tomando banho, placa de advertência sobre crocodilo australiano e o verdadeio HOMEM DA MONTANHA de Timor Leste, nada satisfeito com os malais intrometidos tentando registrar sua passagem com os cabritos. Mas ainda há muito para conhecer nessa ilha impressionante.









terça-feira, 21 de setembro de 2010

A fuga mais espetacular do cinema

Ontem revi um clássico do cinema americano: Papillon, estrelado por Steve McQueen e Dustin Hoffman. Ambos gigantes da sétima arte que protagonizaram dezenas de pérolas norte americanas. O primeiro, batizado como Terrence Steven McQueen, faleceu em 1980.
Tornei-me um grande fã depois de assistir a Fugindo do inferno (de 1963) e a 7 homens e um destino (de 1960). McQueen era um apaixonado por automóveis e motocicletas. Viveu o final da sua vida  como um recluso, recusando participação em produções do nível de Apocalipse Now (Coppola) e Contatos imediatos de terceiro grau (Spielberg). 
Este longa de 73 conta a história real de Henry Charrière (apelidado de Papillon, borboleta em francês), homem condenado injustamente na França pelo homicídio de um gigolô, enviado para o exílio em uma colônia penal na Guiana Francesa. Na década de 30 o governo francês tinha o hábito de se livrar dos indesejáveis mandando-os para a América do Sul. E lá os caras comiam o pão que o diabo amassou (ATENÇÃO porque lá vem SPOILER e quem não assistiu ao filme pode receber informações demais).
Acontece que Papillon (Steve McQueen) é osso duro de roer e não aceita o destino que lhe é imposto. Apesar de ser advertido pelo diretor do presídio sobre as consequências de uma fuga mal sucedida, o homem tenta escapulir várias vezes. Na primeira vez, é traído e passa dois anos na solitária comendo baratas e centopéias. Sai um farrapo, recupera-se e parte novamente. Desta vez consegue se afastar, mete-se em peripécias com leprosos, índios e freiras, mas é denunciado pela diretora de um convento (a cena que mostra seu contato com uma comunidade de leprosos é memorável). Volta para a Guiana e passa mais cinco anos na solitária. Depois disso acaba indo cumprir pena num lugar isolado chamado "ilha do diabo". A terceira tentativa dá certo e Charrière chega na Venezuela, vindo a naturalizar-se como cidadão daquele país.  
Li o livro há bastante tempo e o filme (longo, com duas horas e meia de duração) diverge bastante da obra literária (fato justificado pela sua extensão). Isso não tira seu valor, seja pela história interessantíssima, seja pela qualidade dos atores. Dustin Hoffman, interpretando um companheiro do protagonista, está impagável.
Papillon recebeu em 74 duas indicações ao oscar e é hoje, quase 40 anos depois do seu lançamento, diversão altamente recomendada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

São Paulo 9 mm

Aqui na Ásia o canal FOXCRIME transmite um programa da FOXBRASIL chamado São Paulo 9 mm. O slogan da série é: "Acompanhe o cotidiano de policiais na cidade mais perigosa do mundo." Fiz uma pesquisa e descobri que a produção é "100% brasileira" para o canal FOXBRASIL. Então fiquei pensando: como programas desse tipo contribuem para a imagem do Brasil?

Respondo com um caso breve.

Há duas semanas eu e a Alice estávamos em Bali e, na fila do aeroporto, fomos abordados por duas alemãs de vinte e poucos anos, interessadíssimas em rachar a grana do táxi. No caminho, papo vai, papo vem, sugeri que conhecessem as belíssimas praias brasileiras. Uma delas respondeu, com uma cara assustada: "Não tenho coragem de ir ao Brasil sem alguém de lá pra me acompanhar, porque o seu país é perigoso demais!".

A maioria dos europeus, australianos, canadenses e japoneses tem a impressão de que, botando os pés no Brasil, serão imediatamente levados para um barraco no morro, assaltados e torturados. Dependendo do lugar, até acredito que isso aconteça. Mas o ponto é que produções do naipe de São Paulo 9 mm continuam vendendo para o mundo o que temos de podre: violência e sacanagem (nem estou entrando no mérito da qualidade do programa, uma cópia tupiniquim do batidíssimo Law and Order americano). Nem a Colômbia tem o filme tão queimado quanto o nosso.

São Paulo é uma cidade extremamente violenta. Disso não tenho dúvida. Mas já bati perna demais por lá pra saber que não se toma bala em qualquer esquina. Então qual o prazer dos brasileiros em provar por A mais B aos estrangeiros que no Brasil só tem marginal? Sinceramente, essa estória de que o bacana é mostrar traficante dando tiro na rua de uma favela já cansou. Depois não dianta ficar boicotando filme de chacina de gringos no Rio. Isso é demagogia.



sábado, 18 de setembro de 2010

Cachaceiros de Dili

Nesta madrugada eu e a Alice estávamos comendo um pop mie (miojo indonésio) quando ouvimos um estrondo do lado de fora de casa. Fui verificar o ocorrido e descobri que dois carros trombaram exatamente na frente do nosso compound, sendo que um deles ainda subiu na calçada, bateu no muro e por pouco não estaciona dentro do restaurante que tem aqui. 

Pude ver que o motorista que derrubou o muro da minha casa estava tão chapado que sequer conseguia falar. Provavelmente estava dirigindo na contramão (é o que sugerem as marcas de pneus na rua).

Engraçado que Dili tem polícia nacional (PNTL, com suas inúmeras sud-divisões), polícia militar (FDTL), polícia da ONU (UNPOL), polícia portuguesa (GNR) e NENHUMA POLÍCIA atendeu o telefone para registrar o acontecido. E mais: ASSIM COMO NO BRASIL, a presença de todo esse aparato repressivo não inibe os aloprados de dirigirem bêbados na contramão.




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estatísticas surpreendentes




Herança indonésia

Não sou simpático à Indonésia. Tudo bem que não existe "culpa da nação", mas sim de uns poucos militares vagabundos. E os fatos históricos relacionados à invasão de Timor Leste são muito mais complexos do que aparentam ser, envolvendo inclusive países com pinta de bonzinhos.

Acontece que eu, tentando superar esse sentimento negativo direcionado ao país vizinho, tão logo pus meus pés em seu território, tive minha máquina fotográfica confiscada e minhas fotos deletadas (fato outrora esmiuçado neste blog). Apenas porque fotografei um cartaz de aviso de pena de morte aos traficantes. Será que eles têm vergonha da própria legislação? Deviam mesmo ter, porque ela reflete o espírito anti-democrático que impera. Mas, sendo assim, por quê tornam as ameaças tão escancaradas, justo num grande destino turístico?

 É preciso lembrar que no mesmo dia em que desembarquei em Bali, um amigo venezuelano (sujeito funcionário da União Européia altamente qualificado) dirigiu-se, com esposa e filhos pequenos, ao guichê da imigração e mostrou seu passaporte italiano. O funcionário indonésio, ao verificar que as páginas do passaporte estavam quase todas carimbadas, levantou a seguinte questão: "por acaso o sr. chegou aqui com seu passaporte lotado de carimbos porque possui pendências e a Itália não quis renovar o documento?" (só uma mentezinha débil mental e policialesca para tirar semelhante conclusão). Diante disso, mandou o amigo para uma SALINHA e começaram as intimidações. A situação só foi resolvida com a apresentação da cópia de um email da embaixada italiana, informando sobre a remessa de novo passaporte, determinação que não havia sido cumprida até aquela data. Esse tipo de coisa tira o ânimo de qualquer um.

O melhor que aconteceu com Timor Leste nos últimos anos foi a saída indonésia. No geral, a herança foi de estragos e imenso retrocesso na formação humana.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A força de Dili

Dili, capital de Timor Leste, foi arrasada em 1999. Os militares indonésios e as milícias locais pró Indonésia fizeram por aqui tudo o que manda a cartilha da vilania: mataram, queimaram, violentaram. A derrota no plebiscito organizado pela ONU (através do qual a esmagadora maioria da população local manifestou-se pela autonomia de Timor Leste em relação à Indonésia) levou à desforra.

Os habitantes que não eram simpatizantes dos invasores foram forçados a correr para as montanhas, abandonando suas casas e seus bens. Muitos, quando voltaram, acharam ruínas (outros, se permaneceram fugidos por mais tempo, voltaram e encontraram algum gatuno ocupando a casa, sem intenção de devolver o imóvel). É possível, ainda hoje, ver os rastros da destruição.

Mas, felizmente, quem vive aqui pode constatar que Dili se recupera diariamente do golpe sofrido. Bastam semanas para ver uma construção nova ou a reforma de um prédio antigo arrasado. A cidade, com óbvias limitações decorrentes da ainda precária situação financeira do país, se transformou num ambiente cosmopolita extremamente aprazível. E o melhor ainda está por vir porque o Timor cresce a olhos vistos.

Em homenagem à cidade querida que hoje moro com minha esposa, decidi postar umas fotos bacanas enviadas pela Tinina, dona de um faro inigualável para descobrir jóias na internet.





quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Kuala Lumpur

Kuala Lumpur, capital multicultural da Malásia, com aproximadamente 2 milhões de habitantes. Grande parte da população professa a religião islâmica ou budista. É fácil, portanto, ver burca no McDonald's ou marido com três mulheres cobertas andando atrás. O povo daqui é bem tranquilo (e esperto). Tratou de incorporar valores do ocidente e achar uma forma de conviver com isso numa boa, de forma a garantir bons negócios e dinheiro para o país. Nas ruas, é grande a cordialidade dispensada ao turista (incluindo o desorientado).
A impressão que tive é que a cidade é moderníssima, com um centro repleto de prédios novos e imensos (dentre eles a Torres Petronas, orgulho maior dos habitantes), mas que conserva elementos tradicionais da cultura islâmica. Vemos em cada esquina shopping centers com as mais famosas grifes, mas que também agradam o consumidor mão fechada que corre atrás de produtos com desconto de 50 ou 70 por cento.
Não me admira que as Petronas sejam a menina dos olhos do Malaio. Os prédios são fantásticos e à noite, com a iluminação, tornam-se um espetáculo majestoso. Além das torres Petronas e Kuala Lumpur (Menara Kuala Lumpur), resta ainda ao turista conhecer belas mesquitas (especialmente a Masjid Jamek e a Masjid Negara), o museu nacional (Muziun Negara) e o imperdível Museu de Arte Islâmica da Malásia. No final do dia, recomendo perambular pelos botecos e shoppings da cidade.
Há dois detalhes importantes sobre o aeroporto internacional de Kuala Lumpur. Primeiro, ele fica bem longe do centro da cidade. São mais de 50 quilômetros de distância, uma hora de táxi e um preço salgado. Segundo, ele é dividido em dois terminais, distantes um do outro (coisa de 10 quilômetros!). Então, na hora de sair do hotel, necessário avisar o taxista sobre o terminal desejado (comum ou o low cost, com empresas aéreas mais baratas, inclusive a Air Asia). No caso de silêncio do turista, o motorista toca para o terminal mais próximo do centro. Se o horário do vôo estiver muito próximo, a dor de cabeça para pegar o avião pode ser imensa (já que o ônibus que leva de um terminal ao outro demora bastante).
Uma última observação: aqui existe um trem elevado (estilo skytrain), silencioso, barato pro consumidor e que ocupa um espaço relativamente pequeno. Que maravilha seria se o prefeito Márcio Lacerda arrumasse uns trocados com a Dilma e instalasse uma coisa dessas em Belo Horizonte. Ia facilitar a vida de muita gente!

                  Vista do alto da Menara Kuala Lumpur, com as Petronas ao fundo



          Base das torres Petronas e entrada do shopping center mais caro da cidade






Um cidadão passeando no shopping com suas três mulheres

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Maya Bay depois de Leonardo DiCaprio

No filme A praia, lançado em 2000, o galã Leonardo DiCaprio interpreta um personagem que, à procura de aventuras exóticas na Tailândia, se envolve em mutretas com traficantes, turistas pentelhos e um grupo de hippies moderninhos (mais pentelhos ainda) que habitam uma ilha isolada e paradisíaca. O título é uma referência à praia cultuada e protegida pelos moradores da tal ilha. Esse paraíso de fato existe e hoje estive lá com a Alice para conferir.
A famosa praia chama-se Maya Bay e está localizada no pequeno arquipélago das ilhas Phi Phi (pronuncia-se pi pi), distante uma hora de barco de Phuket (ilha situada no sul da Tailândia). A curta viagem marítima não oferece grandes percalços (mesmo para aqueles que tomam dramim só de pensar em embarcar) e custa aproximadamente 60 dólares para o casal (1800 baths, moeda local).
De fato, sua beleza é opressora. As rochas altas ao redor quase isolam a praia (a sensação que temos ao assistir o filme é justamente de que a praia é cercada por completo), criando um ambiente único. O mar, fantástico para mergulhadores e praticantes de snorkel, parece uma piscina de água azul. Não é possível hospedar ou mesmo acampar em Maya Bay. Há séria preocupação das autoridades tailandesas em proteger o ambiente (estranho é que a empresa de cinema FOX, quando foi filmar ali, resolveu alterar a vegetação original. E assim o fez. Plantou coqueiros e retirou plantas rasteiras. Dizem que, apesar da recomposição vegetal promovida após o encerramento das gravações, o ecossistema local não se refez. Nessas horas a gente vê como o dinheiro fala mais alto).
Infelizmente, depois da era capriana, a praia deixou de ser um lugar tranquilo. De secreta Maya Bay não tem mais nada. Tornou-se destino obrigatório de TODOS os turistas que vão a Phuket e região. Paz, portanto, nem pensar. Dez minutos depois que chegamos (9 da manhã) já haviam desembarcado umas 200 pessoas. Para tirar foto é preciso sorte no meio da multidão. Isso no período de baixa temporada. Apesar da visita valer a pena pela visão estonteante, fica aquela sensação de Mona Lisa no Louvre, na qual as pessoas parecem estar num lugar cheio de maravilhas, porém interessadas apenas em uma delas, não necessariamente a mais bonita.









terça-feira, 7 de setembro de 2010

Phuket - Parte 2

Ontem à noite eu e a Alice fomos a um ginásio de boxe tailandês assistir às lutas que diariamente acontecem aqui em Phuket. O lugar, meio sujo e mal iluminado, dá a impressão de que estamos numa rinha de galos. E os tailandeses presentes no local reforçam essa sensação. Muay Thai não é coisa de turista deslumbrado com o exótico. É paixão nacional e o pessoal aposta, grita e torce pelos lutadores. O clima de euforia fica completo com a música de fundo, tocada num ritmo constante a cada início de round.

A idade dos primeiros competidores: 9 anos. A carreira profissional de um lutador de boxe tailandês começa aos 6 ANOS e na faixa dos 24 ele já está se aposentando. Não é pra menos: a brutalidade é imensa. O mais estranho é assistir de perto duas crianças franzinas trocando socos e pontapés na frente de uma platéia aos berros (os parentes dos meninos praticamente vão à loucura).

Quando chega a vez dos mais velhos (na casa dos 20 anos), parece que estamos de fato assistindo um filme do Van Damme ou do Bruce Lee. A experiência valeu para entender um pouco da cultura local, bem diferente da nossa.





Na praia, podemos ver figuras de todo tipo. Duas mulheres usando burca num calor de rachar...


E japoneses tirando foto com pose de bunda e pulinho na areia!