Um dia desses eu estava vagando pela internet e encontrei um blog chamado Lah em Cingapura, no qual um brasileiro narra suas experiências de vida e impressões sobre esse país do sudeste asiático. Lá o autor publicou um post que me chamou a atenção:
"PICHAÇÃO EM CINGAPURA No meu primeiro post (acho) eu cheguei a comentar que aqui tem leis severas e pena de morte, aplicada a tráfico de drogas e homicídios. Comentei, também, que não há distinção entre usuários e traficante. Foi pego com drogas? É traficante e ponto final e ainda vai ser enforcado na prisão localizada em Changi (perto do aeroporto).
Estou lendo durante a semana que a estátua do Cristo foi pichada e que estão à caça dos que fizeram isso. Tá bom, vai pegar e vai acontecer o quê? Irão trabalhar na prisão? Vão pagar multa? Ficarão anos e anos presos? Aham, claro…
Em Cingapura, o prêmio para quem for pego pichando será levar de 6 a 8 chibatadas. Para se ter uma idéia de como isso não há negociação, em 1998 o norte Americano Michael Peter Fay, que pichou vários automóveis, foi condenado a seis chibatadas de vara de bambu. Com a intervenção do presidente Bill Clinton, a pena foi reduzida para quatro chibatadas. Beeem melhor 4 do que 6, não é?!
Eu juro que tentei achar uma foto de um cara que mostra como ele ficou marcado 5 anos após a surra mas achei uma bem interessante para colocar no lugar. É de como é executada essa pena.
Por isso que em Cingapura tem ordem e é pacato…"
(A fotografia, horrorosa, é dispensável).
(A fotografia, horrorosa, é dispensável).
É velhíssima a associação que se faz entre rigor de pena (e rigor da lei) e paz social. Nos Estados Unidos, a maioria dos estados federados ainda permite a pena de morte. Não existe, porém, qualquer dado concreto que indique redução da criminalidade associada à èxistência da pena capital. E diminui a cada dia a sua popularidade entre os americanos.

O mito da intimidação benéfica faz parte do senso comum. O editor do blog afirma com tanta veemência que é "Por isso que em Cingapura tem ordem e é pacato" porque essa é a associação mais fácil de ser feita. Repressão - medo - paz. Será que educação, distribuição de renda, saúde, instituições públicas consolidadas e políticas públicas de desenvolvimento não têm relevância? O argumento do medo é simplista demais. A Indonésia é a prova viva. Um país com quase 250 milhões de habitantes que vivem morrendo de medo de abrir a boca, cientes de que aquilo é um imenso Estado-polícia. Todavia em cada esquina de Bali tem um sujeito oferecendo maconha, cocaína e ecstasy. Ué! Como explicar esse intrincado paradoxo?

Nas vésperas do 2º turno, um conhecido ficou horrorizado quando eu disse que ia votar na Dilma.Ele argumentou que a ditadura militar foi o melhor período para o brasileiro.Os professores universitários ganhavam melhor (e ele é professor aposentado da federal de Ouro Preto).Disse tb que os subversivos deveriam ter sido eliminados.Provavelmente deve ser a favor de pena de morte para erradicar todos males da sociedade.Encerrei a conversa , mas fiquei muito triste porque fiquei imaginando a quantidade de brasileiros que pensam como ele.
ResponderExcluirNão são poucos os simpatizantes de ditadura. Ou gostam de apanhar ou acham que o problema é dos outros. Beijo!
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