No dia 11 de março deste ano o tsunami que atingiu o Japão destruiu quase integralmente a cidade costeira de Minamisanriku. O vídeo mostra o poder da onda gigantesca, que vem de longe arrastando casas como folhas de papel. Naquele dia ainda estávamos em Dili e o alerta foi dado pela ONU. Ficamos de cabelo em pé, mas logo depois das sete da noite recebemos nova mensagem, informando que as ondas haviam cedido ao norte, na Indonésia. De todo modo, um sufoco.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Tropicana Slim
Se Washington Olivetto, Nizan Guanaes ou algum outro guru da publicidade brasileira passasse meia hora assistindo a um canal asiático, de preferência indonésio, ia pensar consigo: eu sou bom mesmo e mereço cada centavo que já ganhei nessa profissão.
O besteirol nonsense que é despejado sobre o telespectador nessas bandas leva qualquer pessoa de capacidade intelectual mediana a manter sempre à mão uma cartela de dramin. E nem estou me referindo a programas de auditório que fazem o Raul Gil parecer um gênio.
As aberrações comerciais da televisão vão desde a imagem de um lutador de sumô vestido com fralda, cantarolando uma musiquinha enquanto ajuda uma senhora a passar tinta na parede da sua casa à deprimente propaganda do Pato Purific, na qual a dona de casa despeja o produto numa latrina de água parada, com aspecto encardido.
Os chineses não ficam atrás. Inventam paródias ridículas para anunciar programas americanos veiculados na Ásia. No melhor estilo karaokê. O mais irritante é que as musiquinhas grudam na cabeça e provocam sério desconforto mental. Este sim é o suplício chinês propriamente dito.
O conteúdo televisivo no Brasil, e aqui me refiro ao publicitário, evidentemente, costuma ser criativo. Dificilmente veríamos por lá uma propaganda como esta, do adoçante indonésio Tropicana Slim. Num atentado grave contra a inteligência da população, o vídeo mostra um rapaz que carrega para baixo e para cima um pacote do malsinado adoçante, porque aquele é o símbolo que traz de volta a recordação do amor infantil. Nada de lenço ou papel de bombom. Mas um saquinho de adoçante! Tem base uma porcaria dessa?
sábado, 25 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
Lei e ordem
Um dia desses eu estava vagando pela internet e encontrei um blog chamado Lah em Cingapura, no qual um brasileiro narra suas experiências de vida e impressões sobre esse país do sudeste asiático. Lá o autor publicou um post que me chamou a atenção:
"PICHAÇÃO EM CINGAPURA No meu primeiro post (acho) eu cheguei a comentar que aqui tem leis severas e pena de morte, aplicada a tráfico de drogas e homicídios. Comentei, também, que não há distinção entre usuários e traficante. Foi pego com drogas? É traficante e ponto final e ainda vai ser enforcado na prisão localizada em Changi (perto do aeroporto).
Estou lendo durante a semana que a estátua do Cristo foi pichada e que estão à caça dos que fizeram isso. Tá bom, vai pegar e vai acontecer o quê? Irão trabalhar na prisão? Vão pagar multa? Ficarão anos e anos presos? Aham, claro…
Em Cingapura, o prêmio para quem for pego pichando será levar de 6 a 8 chibatadas. Para se ter uma idéia de como isso não há negociação, em 1998 o norte Americano Michael Peter Fay, que pichou vários automóveis, foi condenado a seis chibatadas de vara de bambu. Com a intervenção do presidente Bill Clinton, a pena foi reduzida para quatro chibatadas. Beeem melhor 4 do que 6, não é?!
Eu juro que tentei achar uma foto de um cara que mostra como ele ficou marcado 5 anos após a surra mas achei uma bem interessante para colocar no lugar. É de como é executada essa pena.
Por isso que em Cingapura tem ordem e é pacato…"
(A fotografia, horrorosa, é dispensável).
(A fotografia, horrorosa, é dispensável).
É velhíssima a associação que se faz entre rigor de pena (e rigor da lei) e paz social. Nos Estados Unidos, a maioria dos estados federados ainda permite a pena de morte. Não existe, porém, qualquer dado concreto que indique redução da criminalidade associada à èxistência da pena capital. E diminui a cada dia a sua popularidade entre os americanos.
Estive em Singapura (prefiro escrever com 'S' porque acho mais bonito) no início do ano e uma das primeiras coisas que reparei naquela nação minúscula foi a ameaça para traficantes no aeroporto. Aviso semelhante existe na Indonésia, com letras garrafais e cor de destaque ("death penalty for drug traffickers"), conforme já relatei aqui no blog (curiosamente os indonésios parecem ter vergonha da sua própria lei. Mas enfim...). O mito da intimidação benéfica faz parte do senso comum. O editor do blog afirma com tanta veemência que é "Por isso que em Cingapura tem ordem e é pacato" porque essa é a associação mais fácil de ser feita. Repressão - medo - paz. Será que educação, distribuição de renda, saúde, instituições públicas consolidadas e políticas públicas de desenvolvimento não têm relevância? O argumento do medo é simplista demais. A Indonésia é a prova viva. Um país com quase 250 milhões de habitantes que vivem morrendo de medo de abrir a boca, cientes de que aquilo é um imenso Estado-polícia. Todavia em cada esquina de Bali tem um sujeito oferecendo maconha, cocaína e ecstasy. Ué! Como explicar esse intrincado paradoxo?
E é engraçado como a pessoa que defende chibatadas para bandido não percebe que amanhã a acusação pode recair contra ela mesma, a incentivadora do endurecimento legislativo. Em Singapura será que existe liberdade de expressão? Duvido. Será que existe pluralismo político (de fato)? Duvido. E imprensa livre para investigar e apontar irregularidades no governo? Também duvido. E o devido processo legal, como funciona? Aposto num procedimento sumaríssimo de viés inquisitorial (vale a pena dar uma olhada no parecer atualizado da Freedom House sobre a democracia e o respeito às liberdades públicas em Singapura, país classificado como "parcialmente livre"). Afinal de contas, para quê serve esse negócio de direitos humanos, ampla defesa e dignidade? Isso é coisa de comunista.quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Nada de franguinho com quiabo
Na Indonésia vivem duzentos e tantos milhões de habitantes, existem milhares de ilhas paradisíacas, tem gente de toda raça e credo. Mas o país possui uma especialidade marcante: fazer comida ruim. Entretanto, há momentos críticos em que a fome nos leva a passar por cima de qualquer preconceito, por mais obscuro que ele seja. No nosso caso, adentrar um pequeno muquifo de Atambua, perto da divisa com Timor-Leste, foi como colocar os pés no Porcão depois de um dia sem comer. Vale mandar brasa em tudo, sem hesitar. Só não dá pra manter o sorriso.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Curiosidades indonésias
Penso que todas as esquisitices de um povo devem ser toleradas pelo estrangeiro. Os brasileiros, aos olhos do sueco, são criaturas de outro planeta. Mas como vivo ao lado dos indonésios (e por eles não morro de amores), não resisto à tentação de revelar aqui alguns hábitos que, numa primeira análise, são no mínimo peculiares. E não digo isso só porque na Indonésia o pessoal adora um viralatinha ensopado, frito ou assado. A situação deles envolve pouca preocupação com higiene e saúde. Ressalto que os (quase) 25 anos de ocupação de Timor Leste transferiram para os timorenses a maioria dos costumes do vizinho, infelizmente.
Em primeiro lugar, indonésio não é chegado em banho, mesmo vivendo num clima tropical úmido. Também pudera: a limpeza do corpo é feita na base da canequinha (seja a pessoa rica ou pobre). Os banheiros, sem pia, têm um recipiente para armazenar a água e o sujeito pega a caneca, limpa do jeito que dá e fica por isso mesmo (para demonstração, tirei foto do banheiro de um restaurante em Atambua). Alguém poderia dizer que os franceses também não gostam de tomar banho. Fato é que na Europa a água é caríssima e o clima completamente diferente.
Outro detalhe do banheiro indonésio: não tem vaso sanitário. Se eu morasse lá, estaria frito, porque adoro ler um livrinho no trono. A privada é no chão (um buraco apenas). E a descarga? Não existe. Usa-se a boa e velha canequinha para empurrar o que for possível. Bebê de Rosemary que não desce, fica por lá dias ou semanas. Conheci até uma médica alemã que foi para a Indonésia com um único objetivo: ensinar os indonésios a rolar bosta. Que dureza! Hilária uma propaganda do Pato Purific (ou Harpic) que assisti em Bali. Idêntica à propaganda brasileira, só que a dona de casa lambreca o produto nas beiradas da latrina, ao invés do vaso sanitário. E depois a titia indonésia vem com a caneca e, como se estivesse dando descarga, despeja a água por cima.
Fugindo do assunto banheiro, frequentemente vemos pessoas com horrorosas unhas longas, daquelas de fazer inveja no Zé do Caixão. Fui investigar sobre isso e apurei que eles pensam assim: unha grande (e quase sempre suja) é sinal de status porque isso significa que aquela pessoa não realiza trabalho braçal. Quem tem unha grande na Indonésia, portanto, não pega na enxada...
Lembro ainda que por lá come-se com a mão (vi isso em restaurantes), arrota-se em qualquer lugar público (principalmente em aviões), enterra-se parente no quintal da casa (ver fotografias abaixo), usam-se roupas de frio, mesmo sob calor infernal e, por último, a mesma camisa, camiseta ou moleton usado na segunda-feira pode ser reutilizado até domingo. Haja Omo e danem-se os asseados!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Ponto de vista
Saímos de Dili no dia 29 de outubro, aproveitando o feriado prolongado de finados, para conhecer lugares menos populares da Indonésia (cruzamos por terra a fronteira com o lado oeste da ilha de Timor, fomos a Kupang e de lá voamos para a Ilha de Flores, cuja população é quase inteiramente católica). O interessante de rodar doze horas numa van (chamada aqui de mikrolet) por estradas sinuosas e esburacadas, comer pescoço de galinha com arroz sem gosto e moela dura e tomar banho de caneca é ter a chance de conhecer a realidade de um país (glamurizado por conta de surfistas australianos).
O povo indonésio que vimos é fisicamente idêntico ao timorense. E a miséria também é parecida. Depois de ver aquela quantidade de gente paupérrima, pedintes e mendigos, me dei conta de que minha antipatia pelo indonésio é injusta. Deveria ser canalizada para o exército daquele país, que é imenso, tem autonomia e esmaga a liberdade de expressão. Basta uma volta rápida pela Indonésia (não me refiro a Bali, evidentemente, porque essa ilha não representa a realidade social e econômica do resto do arquipélago, já que a miséria dos habitantes é camuflada) para notar o indisfarçável ar de intimidação que emana dos órgãos de segurança. Cruzamos a fronteira do Timor Oeste a pé, carregando mala. Mostramos nossos documentos quatros vezes, duas de um lado, duas do outro. Sempre sob o olhar atento de um guarda armado.
Em Bali, conversando com um simpático taxista (coincidentemente nascido em Flores), não pudemos deixar de notar que quando ele se referiu ao Timor Leste e ao período de ocupação indonésia, as palavras usadas foram: "nos anos em que Timor SE ANEXOU à Indonésia (...)", como se a iniciativa tivesse sido do povo timorense, quase um mal agradecido por não querer manter-se anexado ao vizinho poderoso. Invasão, ocupação ou anexação, tudo é questão de ponto de vista.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Malaysia Truly Asia
A Malásia é um país de maioria muçulmana tido como liberal, ocidentalizado. Há alguns anos o governo criou uma campanha de incentivo ao turismo, cujo slogan é "Malaysia truly Asia".
A tática é mostrar as belezas naturais, que são muitas, de uma forma bem light, para atrair o pessoal de fora (e para que o turista não fique achando que vai topar com um homem bomba dentro do lobby do seu hotel).
O comercial de 2010 passa umas 20 vezes por dia na televisão daqui. Coisa curiosa é que eu sempre paro pra assistir...É fantástico!
Postei o vídeo na íntegra, mas o comercial é bem menor, com um minuto de duração.
Resolvi seguir o conselho do querido DJ Paulão e, a partir de agora, vou dar preferência nos posts para as novidades do sudeste asiático.
domingo, 22 de agosto de 2010
Bintang
"Quem não tem mar, vai ao bar". Esse é o lema do Belorizontino. Em Dili tem mar, mas nem por isso deixamos de ir ao bar. Ou pelo menos de beber uma boa gelada. Como em BH, opções aqui não faltam.
Logo que vim pra cá, passei por Cingapura e me serviram a Tiger, cerveja local. Boa, mas infelizmente provoca em mim sério revertério intestinal.
As australianas mais comuns por aqui são a VG, Four X Gold e Melbourne Bitter, as holandesas Heineken e Amstel e a portuguesa é a Sagres.
Entretanto, nenhuma delas bate a nossa querida BINTANG, fabricada na indonésia por uma empresa subsidiária da Heineken. Leve e com um gosto parecido com o da Brahma, desce bem sem provocar aquele indesejado piriri gangorra.
As empresas brasileiras de cerveja bem que poderiam trabalhar para vender a geladas nacionais aqui na Ásia. Iam faturar alto.
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